O JORNAL DO CAFÉ · HISTÓRIA DO AUTOMOBILISMO
Le Mans 1966: Ford contra Ferrari, a guerra que mudou o automobilismo
Abril 2026 · 5 min de leitura · Carrera Café · O Jornal do Café
Existem corridas que são simplesmente corridas. E existem outras que são guerras. Le Mans 1966 pertence à segunda categoria, e a forma como terminou se tornou uma das imagens mais discutidas da história do automobilismo.
Como Henry Ford II declarou guerra a Enzo Ferrari
Tudo começou em 1963. A Ford queria comprar a Ferrari. As negociações avançaram. Enzo Ferrari parecia disposto. Mas, no último momento, ele desistiu. Não podia aceitar a cláusula que lhe tirava o controle da divisão de corrida.
Henry Ford II não levou bem a situação. Muito mal. Ele teria dito estas palavras, ou algo equivalente: "Vamos vencer aquele desgraçado em Le Mans." Foi o ponto de partida de um dos programas de corrida mais ambiciosos e caros já realizados por um fabricante de automóveis.
A Ford contratou engenheiros, técnicos, pilotos. Desenvolveu intensamente o GT40. As primeiras tentativas em 1964 e 1965 falharam. A Ferrari dominava. Mas a Ford aprendeu.
1966: o momento da verdade
Le Mans 1966. A Ford chega com uma armada de GT40 Mk II preparadas pela Shelby American. Os pilotos incluem Bruce McLaren, Ken Miles, Dan Gurney, A.J. Foyt. A Ferrari está lá, sempre favorita. Mas naquela noite, a Ford era imparável.
Os Ford GT40 dominaram a corrida do início ao fim. Na aproximação da linha de chegada, os três primeiros lugares estavam todos ocupados por Fords. Foi nesse momento que a direção da Ford tomou uma decisão que alimentaria debates por décadas.
A controvérsia da chegada
Ken Miles, que liderou a maior parte da corrida, foi solicitado a desacelerar para permitir uma chegada em grupo. A foto da vitória com três Fords lado a lado é a imagem que a Ford queria. Miles aceitou. Mas a regra de Le Mans sobre a distância percorrida fez com que Bruce McLaren fosse declarado vencedor, não Miles.
Ken Miles quase conseguiu algo único na história de Le Mans: vencer as 24 Horas depois de ganhar Daytona e Sebring no mesmo ano. Essa tríplice coroa lhe foi negada pela própria equipe.
O que essa história nos diz
No Carrera Café, essa história ressoa de uma forma especial. Ela fala de ambição, paixão, da tensão entre esporte e comércio, e do que custa querer vencer a qualquer preço. As melhores histórias do automobilismo nunca são simples.
Paixão pelo automobilismo
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